Por que tantos cães têm alergia? Guia completo para identificar e controlar crises alérgicas
Guia completo para identificar e controlar crises alérgicas
Dra. Giovanna
12/10/20252 min read
Por que tantos cães têm alergia? Guia completo para identificar e controlar crises alérgicas
As alergias em cães tornaram-se uma das queixas mais frequentes nas clínicas veterinárias. Coceira persistente, lambedura excessiva, otites recorrentes e queda de pelo são sinais comuns, mas muitas vezes subestimados pelos tutores. A compreensão das causas, dos sintomas e das estratégias de controle é fundamental para garantir qualidade de vida ao animal e evitar que o quadro se torne crônico.
Por que as alergias são tão comuns em cães?
Os cães apresentam uma predisposição natural a desenvolver hipersensibilidade, principalmente devido a fatores genéticos e ambientais. Algumas raças, como Shih Tzu, Lhasa Apso, Bulldog Francês, Pug, Golden Retriever e Labrador, apresentam maior probabilidade de desenvolver dermatite atópica. Além disso, a urbanização, a convivência mais próxima dentro de casa e a exposição constante a alérgenos ambientais contribuem para o aumento da incidência.
Os principais tipos de alergia em cães incluem:
Dermatite atópica: sensibilidade a alérgenos ambientais como ácaros, poeira, pólen e fungos.
Alergia alimentar: reação a proteínas presentes na dieta, como frango, carne bovina, leite ou ovo.
Hipersensibilidade à picada de pulgas: reação exacerbada à saliva da pulga, sendo uma das causas mais comuns de dermatite alérgica.
Dermatites de contato: menos frequentes, relacionadas ao contato direto com produtos químicos, plantas ou superfícies irritantes.
Sinais clínicos mais frequentes
Os sintomas variam conforme o tipo de alergia, mas geralmente envolvem:
Prurido intenso (coceira persistente)
Lambedura de patas
Vermelhidão e inflamação da pele
Perda de pelo localizada ou difusa
Mau odor na pele
Otites recorrentes
Pústulas ou feridas por automutilação
A evolução costuma ser crônica, com períodos de melhora e agravamento, especialmente em épocas quentes e úmidas.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico veterinário combina exame clínico detalhado, histórico fornecido pelo tutor e testes que excluem outras causas. Entre as principais etapas:
Exclusão de ectoparasitas
Um protocolo rigoroso de controle de pulgas é obrigatório, mesmo que o tutor não visualize o inseto.Terapia dietética de exclusão
É realizada por 8 a 12 semanas utilizando dieta hipoalergênica ou proteína nova. A melhora dos sinais ajuda a confirmar alergia alimentar.Avaliação dermatológica completa
Inclui raspados, citologias, testes de lâmpada de Wood e culturas quando necessário.Testes alérgicos
Podem auxiliar na determinação de alérgenos ambientais para formulação de imunoterapia específica.
Tratamento e controle das crises alérgicas
A alergia não tem cura definitiva, mas o manejo adequado reduz a intensidade das crises e oferece conforto ao animal. O tratamento pode incluir:
Controle rigoroso de pulgas durante todo o ano.
Dieta hipoalergênica quando indicado.
Banhos terapêuticos com shampoos calmantes, hidratantes ou antissépticos.
Antipruriginosos, como oclacitinib, lokivetmabe ou corticosteroides, conforme avaliação veterinária.
Antibióticos ou antifúngicos em casos de infecção secundária.
Imunoterapia nos casos de dermatite atópica confirmada.
O manejo ambiental — redução da poeira doméstica, higienização frequente de camas e brinquedos, e uso de aspiradores com filtro HEPA — auxilia no controle de alérgenos.
Quando procurar atendimento veterinário?
O tutor deve buscar auxílio sempre que observar coceira intensa, lesões de pele, odor forte, otites recorrentes ou queda de pelo progressiva. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, menor o risco de agravamento, infecções secundárias e desconforto crônico.
